Tuesday, November 21, 2006




Segundo dados da Unicef:
“No Mundo faltam cerca de 60 milhões de mulheres que foram abortadas por serem seres femininos, assassinadas quando bebés pelo mesmo motivo ou morreram vítimas de maus-tratos”. Em 79 países, a violência contra as mulheres não é punida.No contexto Europeu, apenas cinco por cento dos casos chegam à polícia, mas estima-se que uma em cada cinco mulheres seja agredida pelo parceiro masculino. Aliás, 25% de todos os crimes violentos registados na União Europeia foram cometidos por um homem contra a sua mulher ou companheira. Os dados tornam-se ainda mais catastróficos quando o Conselho da Europa, na Recomendação n.º 1582/2002, indica que “a violência contra as mulheres no espaço doméstico é a maior causa de morte e invalidez entre mulheres dos 16 aos 44 anos, ultrapassando o cancro, acidentes de viação e até a guerra”.
Em Portugal, no ano 2000, no âmbito do Projecto INOVAR, do Ministério da Administração Interna, a GNR e a PSP registaram 11765 queixas de violência doméstica. Sabe-se, no entanto, que a maioria das vítimas de violência, por motivos vários, não chegam a apresentar queixa. Dois anos depois, em 2002, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) revelou que foram denunciados mais de 18 mil crimes de violência doméstica, sendo que apenas foram apresentadas 6 mil queixas.Mais recentemente, a 14 de Fevereiro de 2005, a Direcção Geral de Saúde estimou que cerca de 1 milhão de pessoas é afectada, directa ou indirectamente, pela Violência Doméstica.Segundo dados do já referido Projecto INOVAR, nos distritos de Braga e Porto, em 2000, registaram-se 3188 queixas.
Hoje, mais do que nunca, o fenómeno da Violência Doméstica tem assumido uma enorme importância, não só porque a sociedade em geral está a tomar consciência desse flagelo social, mas, sobretudo, porque as vítimas estão a consciencializar-se de que estão a ser vítimas de um crime que não pode continuar a ser silenciado. Urge, cada vez mais, que todos tenhamos um papel interventivo na ajuda ao combate deste flagelo social. Se, isoladamente, todos temos uma palavra a dizer sobre esta problemática, ajudando, dessa forma, a combatê-la, juntos conseguiremos levar este combate muito mais longe."


Patricia Correia
in projecto Novo Rumo - para uma vida sem violência.

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